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quinta-feira, 11 de junho de 2020

E NÓS NÃO FIZEMOS NADA


Não é difícil entender o que aconteceu. Simplesmente não fizemos nada, logo depois de ver o caos se aproximar.

Quando o novo coronavírus surgiu na China (provavelmente), através da imprensa acompanhamos a tragédia começar a tomar corpo e se alastrar por toda a Ásia. Vimos ela chegar e tomar de assalto toda a Europa. Pela TV e sites de notícias tomamos ciência dos erros cometidos por esses países, principalmente o norte da Itália e sua campanha desastrosa “Milão não pode parar”.

Também pela TV e pelos sites jornalísticos acompanhamos os acertos de governos como o da Coréia do Sul e sua política de testagem, ou da Nova Zelândia e seu isolamento ideal da população.

Tivemos tempo suficiente para nos preparar para o impacto, o que poderia ter salvado milhares de vidas...

O que a gente não esperava era a contramão que tomaria o governo brasileiro após saber de tudo o que estava acontecendo. Esse governo foi o principal responsável por fazer pouco do vírus, e do povo brasileiro por consequência, esse povo que segundo o mesmo governo “é imune a tudo e precisa ser estudado pela NASA, pois até se banha em esgoto sem pegar nenhuma doença”.



O isolamento foi desestimulado, e até mesmo medidas de prevenção como o uso de máscaras de proteção foram ridicularizadas pelo presidente (um presidente que merece minúscula mesmo). Auxílio financeiro, para trabalhadores e pequenas empresas, foram liberados praticamente a força, como um “ato de bondade do governo”, e assim mesmo não chegou a grande parte dos que precisavam para se manterem em casa. Talvez porque essas fossem medidas que estimulassem o necessário isolamento social, e isso era mostrado pela imprensa, que não conta com o respeito do presidente. Iniciou-se então uma perseguição aos meios de comunicação.

E nós não fizemos nada...

Assistir ao noticiário passou a ser também ridicularizado pelo presidente e seus seguidores cegos. Afinal, pra que saber a evolução do número de mortos no país? Isso só serve para que a população perceba o fracasso do governo infantilóide nos cuidados com a saúde do seu povo. Pra que ouvir jornalistas falarem incessantemente sobre a necessidade do uso de máscaras, de lavar as mãos, de não sair de casa sem necessidade, de retardar a disseminação da doença para evitar o colapso do já precário sistema de saúde nacional... Pra que tudo isso? “Ah! Vamos manter a mente sadia, longe das notícias ruins.” Como se informação não devesse ser o norte, o ponto de partida, o primeiro remédio.

E nós não fizemos nada. Parabéns aos envolvidos por matarem mais de 40.000 pessoas e sabe-se lá quantas mais ainda irão.

Mas será que venceram mesmo os que contribuíram para a disseminação desse vírus sem vacina ou tratamento comprovado?

Sob qualquer ponto de vista, terreno ou espiritual, eles praticaram o mal. E consequências virão. Tenho certeza!

Christian Petrizi


sábado, 30 de maio de 2020

OS ÁLBUNS DA MINHA VIDA


São muitas as definições que existem para explicar a importância da música na vida de cada um de nós. Oscar Wild dizia que “música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela seu último segredo.” Já para Nietzsche “a música oferece às paixões o meio de obter prazer delas.” Eu, particularmente, não entendo quem não gosta de música, quem não tem um sonzinho em casa para construir a trilha sonora dos momentos mais marcantes de suas vidas.


E é por essa característica, pela música sempre estar associada a cada episódio importante que acontece ao nosso redor e que nos envolve, que surgem brincadeiras ou desafios em redes sociais, do tipo “Mostre as 10 capas de álbuns que marcaram e ajudaram a formar o seu gosto musical”.

Foi o que aconteceu comigo, lá no Facebook: fui desafiado! Brincadeira, né! Pedir para alguém que adora música postar apenas 10 capas? Mas tudo bem, desafio recebido vou postar aqui as capas. Porém seguindo um critério mais específico, para conseguir chegar ao número 10.

Não serão necessariamente os melhores álbuns do mundo, os melhores cantores ou cantoras, nem de longe todos os que marcaram minha vida. Serão os que lá nos primórdios apareceram e foram formando o meu gosto musical. Então, sem julgamentos de espécie alguma, vamos lá:

1)Em 1979 aconteceu uma enchente lá em Minas Gerais, na minha cidade, e, quando as águas baixaram, esses dois LPs que formam a coletânea A ARTE DE GAL COSTA estavam agarrados numa laranjeira do meu quintal, um deles com aquele furinho do meio enganchado num espinho da tal árvore. Foi meu primeiro contato mágico com a MPB!


2)A mesma enchente deixou por lá boiando a Rainha das Discotecas, DONNA SUMMER ON THE RADIO. Eu nem sabia que estava rolando a Era das Discotecas, mas dancei muito com esses LPs tocando na minha vitrolinha. Last Dance é um hit eterno!


3)O pop rebolativo nacional tão em moda e ainda divertido começou com ela, GRETCHEN, e esse LONELY foi um dos primeiros que eu pedi aos meus pais que comprassem para mim. Não fosse tão marcante, não tocaria Freak le Bumbum até hoje, não chamaria a atenção de pop stars mundiais como Kate Perry entre outros.


4)Curioso: só depois de álbuns adultos eu passei a gostar de música para criança. Entre as trilhas sonoras de especiais infantis, destaco PLUNCT PLACT ZUUUM como um dos mais marcantes. Era época em que levavam criança a sério, e ofereciam Raul Seixas, Maria Bethânia, Fafá, em versões para a molecada.


5)Ainda na fase criança, essa trilha de novela me encantou. Trilhas de folhetins também fizeram parte das nossas histórias nos anos 70, 80 e 90. ESTÚPIDO CUPIDO, a novela, se passava nos anos 50, com suas músicas bem simples e ingênuas. Celi Campelo se destaca em versões nacionais de rock and roll americano. Tomamos muito Banho de Lua flechados pelo Estúpido Cupido. Em seguida Meu Mundo Caiu e entrei na adolescência.


6)Depois de alguns anos emburrado, comecei a definir meus gostos, inclusive o musical. Eu me lembro de prestar atenção ao KID ABELHA somente no final dos anos 80 com esse GREATEST HITS maravilhoso da banda. O pop rock entrou de vez na minha vida com esse álbum. Só depois chegou Rita Lee, a Gigante!


7)DONNA SUMMER voltou com força, trazendo a dance músic definitivamente para minha vida. Breakaway virou hit marcante na minha história de estudante em Juiz de Fora, e me acompanha até hoje. Conheci as boates com essa música!


8)Para mim, o equivalente nacional de Rainha das Pistas, de qualidade excepcional, é FERNANDA ABREU. Seu primeiro disco, SLA RADICAL DANCE DISCO CLUB, me fez virar fã eterno da cantora. Tenho todos os seus trabalhos.


9)ANGELA RO RO AO VIVO! Um CD que embalou minha primeira paixão com Amor Meu Grande Amor, e me ajudou a mergulhar na Fogueira da fossa com Kamikases e Simples Carinho. MPB na veia.


OBS) Aqui abro um parêntese para JORGE DREXLER – SEA. Um amigo me apresentou esse álbum, e coincidentemente Ney Matogrosso cantou Sea num de seus shows que assisti. A música me impressionou. Depois de conhecer a carreira do cantor uruguaio de fama internacional, e encontrar um paralelo sem igual com a nossa MPB na obra do artista, mesclado ao pop e aos ritmos latinos, me tornei fã do Jorge. Para mim, o melhor cantautor latino e um dos maiores do mundo.


10)Obviamente o samba deveria marcar presença. Porém eu descobri o ritmo tardiamente. Só quando fui morar no Rio de Janeiro. O primeiro CD que me chamou a atenção foi essa homenagem póstuma a JOVELINA PÉROLA NEGRA, DUETOS. Também, a partir daí, não parei mais. Veio Diogo, Beth, Alcione, Zeca, e tantos outros maravilhosos.


É isso! Estão faltando nessa lista muitos álbuns importantes, muitos cantores e bandas bacanas. Mas ao menos consegui ilustrar os desbravadores da minha cachola, que me fizeram voar bem alto ao som de grandes canções. Um novo mundo foi descoberto a partir desses discos clássicos, e por isso a importância de cada um deles na minha vida.

Christian Petrizi


terça-feira, 19 de maio de 2020

SEM MEDOS, NEM PRECONCEITOS, NEM ESPERANÇAS - AUTOPUBLICAÇÃO



Quando eu comecei a me aventurar na escrita, criando Crimes Bárbaros, meu primeiro livro de suspense policial, eu imaginava que enviaria o original de iniciante para todas as editoras tradicionais e receberia várias propostas de produção. Porém, não foi bem assim que aconteceu, como você deve imaginar.

Não vou nem citar aqui os problemas para que esse sonho se tornasse realidade, porque todas as dificuldades já são amplamente conhecidas. O que me sobrava naquele momento, após a escrita do livro, era a autopublicação, também conhecida como edição de autor, onde eu bancaria todos os custos de produção para ver meu livro nascer e criar vida, algo como fez o Dr. Frankenstein no livro de Mary Shelley.



O problema, na minha opinião naquela época, era que a autopublicação se tratava de uma saída degradante. Na verdade, por um bom tempo foi assim que os leitores encararam essa modalidade de produção de livros: o livro assim realizado seria um produto ruim recusado pelos profissionais da indústria, portanto não deveria ter valor.


Na minha ignorância, e na de muitos outros leitores, desconhecia o fato do grande José de Alencar ter autopublicado a maior parte de sua obra, de Machado de Assis haver começado assim, de Lima Barreto com seu Triste Fim de Policarpo Quaresma ter inclusive passado dificuldades financeiras para publicar esse clássico, e do espetacular Monteiro Lobato, após se autopublicar em editoras independentes, precisar criar sua própria editora para poder ver a cor do dinheiro gerado por suas obras que encantaram gerações de brasileiros.


Aliás, esse problema de dinheiro... Isso continuou imutável, desde os clássicos até ontem. Os custos para se produzir um livro, a falta de logística de distribuição e os baixos rendimentos que levaram escritores a passar dificuldades no passado continuaram no mesmo patamar. Crimes Bárbaros foi meu livro que mais vendeu até “ontem”, porém nunca recuperou o investimento feito por mim.




Eu depois passei por editoras que compraram meus projetos, mas desde Antinatural, em 2018, estou de volta à autopublicação. Inclusive levei todos os meus trabalhos anteriores para esse esquema, agora de uma forma totalmente diferente!

O que mudou desde então, e que me levou de volta para esse meio, foi o modo como se autopublica atualmente e a nova mentalidade de leitores. Hoje existem plataformas como Amazon Kindle e Clube de Autores onde podemos publicar sem custo algum, e os leitores, mesmo desconhecendo esses fatos históricos que relatei acima, estão mais dispostos a comprar novos escritores. Tanto que hoje em dia livros do Amazon frequentam as listas dos mais vendidos da Veja, por exemplo.


Essas plataformas na internet, com suas livrarias virtuais, publicam o livro físico e entregam em qualquer parte do Brasil e do mundo, além do formato e-book apreciado por alguns leitores. Obviamente devemos cuidar com muito mais atenção dos nossos trabalhos, pois também devemos pensar numa boa capa, numa adequada correção ortográfica e gramatical, na diagramação e até mesmo na escolha do tipo de papel em que o trabalho será impresso. Mas acredite, isso também dá um prazer enorme.



E mesmo que Luis Fernando Veríssimo tenha dito um dia “A má literatura é a literatura em estado puro, intocada por distrações como estilo, invenção, graça ou significado, reduzida ao ímpeto de escrever”, os cuidados com o texto ainda são muito valorizados e mais apreciados. Por isso, nós escritores devemos tentar fazer o nosso melhor, enquanto leitores estão nos dando essa oportunidade garimpando bons trabalhos autopublicados.

Assim digo para escritores e leitores: Não tenha medo, nem preconceitos, nem mesmo esperanças. Apenas se jogue na literatura de um lado ou de outro, que muitas joias estão surgindo para enfeitar ainda mais as nossas letras.

Christian Petrizi

 

 

 


quarta-feira, 13 de maio de 2020

ANESTESIA E MORTES A GRANEL



Hoje eu me lembrei de quando aconteceu a tragédia em Mariana, do número de mortos, todos de uma só vez. Eu me lembrei de Brumadinho, das diversas enchentes que acontecem pelo país, dos desmoronamentos de encostas nas periferias pobres das grandes cidades brasileiras, dos 33 mineiros que ficaram presos a quilômetros abaixo do nível do solo em Copiapó no Chile quando eu lá morava, do Word Trade Center, do tsunami na Indonésia. Com exceção dos mineiros chilenos que tiveram um final feliz, a tragédia impactou o Brasil e/ou o mundo pelo número de vítimas que desapareceram da face do planeta em um instante.

Tragédias impressionam seres humanos com sensibilidade. E a comoção se mantêm por longo tempo, normalmente. Então as pessoas cobram soluções para os problemas, elas exigem que as autoridades apresentem planos para que, se possível, algo semelhante não volte a se repetir.

Em alguns casos, consegue-se o objetivo desejado. Atualmente, companhias aéreas investigam até que os recursos se esgotem sobre as causas de um acidente, para que o problema detectado e que causou o acidente seja corrigido em escala mundial, e não volte a ser outra vez causa de outra tragédia. A Justiça aplica leis punitivas para empresas que não se preocuparam com os entornos de suas mineradoras causadoras de acidentes mortais, paralisam suas atividades, estipulam multas, etc. Governos, como o chileno da época em que os mineiros ficaram presos embaixo da terra, lutam incansavelmente para salvar as vidas, e as vezes conseguem salvar todas!, como o caso dos chilenos resgatados das profundezas, ou os neozelandeses que conseguiram evitar os números recordes de mortes por COVID-19 com medidas severas de isolamento social.

Eu li em algum lugar: “Bons governos salvam vidas, maus governos causam mortes.”
E nós, como estamos nessa onda letal do novo coronavírus? Depois de ultrapassar a barreira das 12.000 mortes, das 800 mortes por dia, parece que a normalidade voltou ao país do Carnaval... Como se nada estivesse acontecendo.

Governos estaduais determinam severas regras de isolamento, mesmo com o governo federal tentando amenizá-las a todo custo, e a população tomando seu próprio caminho de ignorar os riscos, saindo às ruas, mesmo os contaminados, expondo cada vez mais a população, principalmente os que estão trabalhando para manter o essencial funcionando para essa mesma população, sem nenhuma preocupação com o próximo.

Fico pensando se a diferença de sensibilização nesse caso não estaria na acomodação dos sentimentos de solidariedade dos cidadãos. Enquanto nas tragédias instantâneas morrem centenas de uma só vez, na crise da COVID-19 os números foram aumentando gradativamente. 1 falecimento num dia, 30 no outro, 100, 180, 320, 600, 800... Será que isso nos torna insensíveis ao perigo, incapazes de praticar solidariedade cuidando de nós mesmos para cuidar do próximo, através de práticas amplamente difundidas pelas organizações de saúde do mundo?

Eu, nas ruas, porque desempenho serviço essencial (sou Farmacêutico) me espanto diariamente com pacientes positivos para a doença que estão circulando normalmente pela cidade, entrando na loja em que trabalho, comprando ao invés de determinarem que outros da família o façam ou pedindo a entrega do necessário em seus domicílios. O comércio não essencial continua fechado, então o que justificaria famílias inteiras, com crianças e idosos juntos, indo a supermercados para as compras “da semana!”, como se nada estivesse acontecendo? Teriam perdido a capacidade de se sensibilizarem com os números crescentes de mortos no país? A morte a granel seria a causadora dessa falta de solidariedade humana?

E, pelo andar da carruagem da vida por aqui, tudo tende a ficar pior ainda. As pessoas vão desaparecer em números cada vez maiores, e o povo cada vez mais insensível ignorando os riscos para todos. 

Nem mesmo consigo colocar a culpa no governo federal, obscuro, negacionista, contra a ciência, etc e tal. Porque as informações foram amplamente divulgadas pela imprensa e medidas foram tomadas pelos governos estaduais.

O problema é a morte a granel. Essa também precisa ser estudada “no tocante” aos efeitos psicológicos causados em uma população desgovernada e insensível.
Christian Petrizi

sábado, 9 de maio de 2020

PARA MANTER A MENTE SADIA


O ano de 2020 está sendo muito difícil de atravessar. A crise de saúde causada pelo novo coronavírus tem tirado o sono de muitos. Ao redor do mundo a doença causada devastou países, o nosso país agora está no centro do problema, como se já não tivéssemos muitos outros, inclusive de saúde para nos preocupar. As mortes se acumulam, e pior ainda é saber que os números oficiais são bem menores do que os reais, devido à subnotificação de casos e de mortes (oficialmente neste exato momento em que escrevo as mortes já passam de 10.000 oficiais).

Muitos defendem que não devemos nos informar pela imprensa, por isso nos deprimir ainda mais. Absurdo dos absurdos. A informação é o primeiro passo para nos proteger, para nos dar um norte do que fazer, mesmo que isso esteja se tornando cada vez mais difícil de realizar.

E o que podemos fazer para não enlouquecer, para não nos deprimir, já que até os passeios não estão sendo recomendados? Alguma coisa diferente é necessária para combater o estresse gerado por essas informações, algum momento precisamos aliviar a cabeça, pois também não seria recomendado ficar 100% do dia focado em notícias invariavelmente ruins.

Eu recomendo a leitura, além dos filmes e das séries tão comuns nos aplicativos de streaming. Um livro, uma história, um outro tempo, uma outra realidade pode contribuir para que a gente possa tentar manter a serenidade neste momento. Mas, com livrarias e bibliotecas fechadas... Como conseguir uma boa história?

A solução seria a gente abrir as possibilidades. Que tal experimentar a leitura de um e-book? Eu sei que muitos preferem o livro físico, mas no momento os meios digitais são os mais acessíveis e recomendados. Uma boa tela de celular ou um tablet são ideias para a leitura. Através da sua Play Store baixe o APP Kindle do Amazon. Ali, registrando e-mail e senha, você pode entrar na lojinha para comprar qualquer livro publicado e vendido em formato digital. Podemos encontrar também muitos livros disponíveis gratuitamente para o leitor. E baixar o escolhido na hora!

Esse é o objetivo dessa minha postagem, oferecer alguns livros que estão disponíveis gratuitamente no Kindle do Amazon. Hoje, vou mostrar os clássicos, principalmente da literatura brasileira, para que possa viajar por outras épocas em que não estávamos sob ataque de um vírus.

Vamos lá? Vamos tentar? Veja alguns dos disponíveis, lembrando que você sempre pode pesquisar muitos outros títulos, da autoajuda a best sellers internacionais.







E agora, que tal um presentinho da minha obra? Por uma semana o meu novo livro está disponível gratuitamente para baixar:

Temos aqui também dois exemplares contemporâneos, o primeiro um best seller internacional de suspense policial. 


É isso! Espero que encontre boas histórias, que elas possam contribuir para o seu bem estar, e principalmente que desperte em você o prazer pela leitura se ainda não experimentou essa viagem.
Continue se cuidando!
Abraços, 
Christian Petrizi










sábado, 9 de fevereiro de 2019

NOVAMENTE O CANTO DOS MALDITOS


Quando Austregesilo Carrano Bueno lançou seu livro autobiográfico O Canto dos Malditos, o cenário real de filme de horror narrado por ele na obra começava a ser desmantelado no Brasil. Os manicômios, que mais foram depósitos de gentes indesejadas pelas famílias brasileiras, eram desativados, um após o outro, por obra de políticas públicas de saúde que, se não eram as perfeitas, ao menos não mais permitiam que pessoas fossem jogadas nessas instituições apenas para desaparecer do campo de visão dos seus.


É disso que trata o livro do escritor. Dos horrores que se cometiam nesses lugares, das sádicas terapias de eletrochoque, do uso abusivo de medicamentos que transformavam esses internos em zumbis, desses internos (o autor foi um deles) que muitas vezes nem mesmo apresentavam o menor quadro indicativo para receber esses tratamentos. Estou falando de pessoas internadas compulsoriamente por pais que simplesmente discordavam da postura dos filhos, seja pelo uso de drogas consideradas ilícitas, por comportamento sexual destoante do que a maioria considera “normal”, ou por estilo de vida alternativo reprovado por essas famílias da Pátria Amada Brasil.


Austregesilo foi um adolescente como tantos e tantos outros que existem por aí, hoje em dia. Passando pela difícil e confusa fase de auto aceitação desses primeiros anos de vida, não se enquadrando no modelo ultraconservador de seu pai (a mãe era a perfeita representação da ausência), que bebia, fumava um baseado vez ou outra, não estava indo bem na escola e não encontrava trabalho que o motivasse. Além disso, não havia em casa diálogo com os pais que o ajudasse. Por isso, e somente por isso, ele e muitos outros foram internados por seus familiares à força em “hospitais psiquiátricos”, e receberam os mesmos horrores que também seriam inadequados para os doentes que realmente necessitavam de assistência.



Seu livro foi a base para o bem-sucedido filme da diretora Lais Bodanzky, Bicho de Sete Cabeças, que alavancou a carreira do ator Rodrigo Santoro interpretando o próprio Austregesilo. O livro ainda continua disponível nas livrarias físicas e virtuais, em e-book no Amazon e nos melhores sebos do Brasil. O filme você pode conferir aqui, via You Tube:

Pois bem... Todo o horror que parecia haver se transformado em material apenas para a literatura e o cinema, como registro histórico de uma época terrível, agora ameaça voltar em uma sequência tão tenebrosa quanto à primeira, em nota do Ministério da Saúde do atual Governo Federal. São 32 páginas onde se fala em internação compulsória de crianças e adolescentes, onde se incentiva o modelo manicomial em um pacote século passado completo, incluindo os temíveis eletrochoques e kits zumbis. Nessa nota também se compara o usuário de drogas aos necessitados de internação nesses hospícios: “A política de drogas vai privilegiar o modelo da abstinência e não mais o de redução de danos, e reforçar a política proibicionista.” O que leva novamente ao modelo de internação e tratamento via isolamento. O modelo CAPS passa a não valer nada...


E o pior, e que todo o mundo sabe: a qualidade física desses espaços fica muito a desejar... Afinal, todos vocês já viram em documentários e telejornais como os internos ficavam jogados nesses locais imundos. Se ainda não viram, está aí o filme da Lais para mostrar. Eu deixo abaixo uma foto tirada num desses depósitos de gente na cidade de Barbacena, Minas Gerais, famosa atualmente pelas rosas, mas que também ostenta um passado de horror nesse setor “hospitalar”.


As portas do inferno estão abertas novamente, para novamente fazerem ecoar o canto dos malditos. Salve-se quem puder. Salve-se quem for "normal" aí. Você é?
Christian Petrizi


domingo, 3 de fevereiro de 2019

OS 10 MAIS! A melhor brincadeira do Facebook.


Todos nós já recebemos aquele desafio no Facebook, onde a proposta é publicar as capas de 10 livros que nos marcaram a vida de uma forma ou outra. E também os 10 filmes brasileiros, ou internacionais...
Um desafio saudável e produtivo, como há tempos não vemos nessa rede social que anda tão amarga.
No caso da Literatura, tão mortalmente ferida pela falta de interesse cultivado desde sempre, partindo das famílias e até mesmo das escolas, esse é mais um mecanismo para difundir entre os leitores sugestões de bons livros, que serve também como boa provocação entre os não leitores, que só têm a ganhar quando escolhem esse hábito de entretenimento para suas vidas.
Gostei tanto que resolvi repostar aqui os meus 10 mais na Literatura, lembrando que muitos outros títulos dos mesmos autores, e de diversos outros que não estão aqui representados, são também grandes histórias que ajudaram a moldar minha existência nesta terra. Os aqui representados foram marcos relacionados a momentos importantes da minha história.
Então vamos lá!

1 - O MINOTAURO, de Monteiro Lobato:
Começando pela infância, período melhor para estimular a leitura. Através da biblioteca da minha escola estadual encontrei o melhor do ramo: Monteiro Lobato. Suas histórias da série Sítio do Pica-pau Amarelo possuem tantas camadas de leitura que atingem também a adolescência e a juventude. Livros provocadores, que estimulam o ato de pensar. Quem lê não esquece, e carrega esse amor e agradecimento por toda a vida. O Minotauro, escolhido por mim, me apresentou o suspense que acompanharia minha vida literária para sempre.

2 - NAS TERRAS DO REI CAFÉ,  de Francisco Marins:
Mais um que vem da infância. Esse, da séria Taquarapoca, série de aventuras semelhante aos livros do Lobato, já foi encontrado na biblioteca pública municipal da minha cidade. Estão vendo como bibliotecas são importantes? Só de rever essa capa eu me emociono. Uma viagem no tempo!

3 - SARAH, de JT LeRoy:
Na virada da adolescência para a juventude, essa história tão "pesada" sobre prostituição, contada em tom de fábula, pois é narrada por uma criança, me mostrou a beleza e a riqueza dos estilos para se narrar um livro. Encantador!

4 - O TERCEIRO TRAVESSEIRO, de Nelson Luiz de Carvalho:
Durante a juventude, um amigo me emprestou, e pela primeira vez eu li um livro em um dia, tão marcante é a história. Pela primeira vez eu odiei a postura de personagens, e com isso passei a ter certezas sobre quem eu sou e o que eu não quero para minha vida. Linguagem simples, história marcante. Tenho também a certeza de que foi o primeiro romance homoerótico para gerações.

5 - M OU N?, de Agatha Christie:
M ou M? foi o primeiro livro que conheci daquela que se tornaria minha escritora preferida, minha referência literária maior. Não tem Poirot ou Miss Murple, mas tem Tommy e Tuppance Baresford, o casal mais gostoso criado pela escritora, e que serviu de inspiração para meu primeiro livro, Crimes Bárbaros. Esse é o terceiro da série de 5 livros escritos com esses personagens. Uma delícia!

6 - DONA BENTA, COMER BEM:
Por que não registrar aqui um livro de não-ficção? Ganhei da minha sobrinha Lana, e com ele aprendia a fazer o Diabo numa cozinha com apenas um ovo. Essa é minha Bíblia!

7 - MAMÃEZINHA QUERIDA, de Christina Crawford:
As biografias estraram em minha vida pela porta da frente, com uma história de amor, ódio e loucura, contada pela filha adotiva da grande atriz Joan Crawford. Um livro que me fez visitar a espetacular obra cinematográfica do mito Joan. Uma arte levando a outras!

8 - NAS MARGENS DO RIO PIEDRA, de Paulo Coelho:
Paulo Coelho é nosso maior best seller! O mundo inteiro o reverencia como artista. Por aqui costumamos ter certo ranço com quem faz sucesso entre nós... Lamentável. Pois sua obra está repleta de belíssimos trabalhos como esse. Um livro que me emocionou! Virei fã de carteirinha, com autógrafo e tudo num exemplar. Amo nosso Paulo!

9 - MÃE NOSSA QUE ESTAIS NO CÉU, de Pablo Simonetti:
Enquanto morava no Chile, foram inúmeros autores latinos que me emocionaram. Esse especialmente, Pablo Simonetti, com o livro sobre a vida de uma mãe, prestes a sucumbir a uma doença terminal, relembrando toda a sua trajetória. Um livro que me fez chorar em diversas passagens...

10 - A CASA DOS ESPÍRITOS, de Isabel Allende:
Todos já viram o belo filme adaptado a partir desse best seller. Muitos já leram o livro e diversos outros da escritora chilena mais festejada. O realismo fantástico entrou nas minhas veias a partir de Isabel Allende, mesmo não sendo ela a criadora do estilo narrativo. Uma história, uma saga familiar, belíssima!

E só pra mostrar que eu não ficaria falando somente de 10 livros...
11 - ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE, de Agatha Christie:
Para muitos, o exemplo maior da genialidade de Agatha Christie para criar tramas de suspense policia. Um livro obrigatório para todos os que desejam lubrificar as célulazinhas cinzentas do cérebro. 

Taí a playlist da minha vida!
Espero que tenham gostado.
Grande abraço,
Christian Petrizi.